A diretoria da Volkswagen AG e o poderoso sindicato industrial alemão IG Metall iniciaram nesta quarta-feira em Hanover a rodada de negociação coletiva mais conturbada em várias décadas. Pressionada pela concorrência crescente de montadoras chinesas de veículos elétricos e pelas fracas vendas na Europa, a maior fabricante de automóveis do continente busca impor cortes de custos severos, incluindo o fechamento inédito de até duas fábricas na Alemanha.

Mais de 3 mil trabalhadores das unidades de Wolfsburg, Emden, Osnabrück e Hanover reuniram-se em frente ao local de negociação no castelo de Herrenhausen com apitos e faixas vermelhas estampando a frase 'Futuro em vez de cortes'. No interior da reunião, o negociador-chefe da VW, Arne Meiswinkel, reiterou que a divisão de carros de passeio enfrenta sobrecapacidade crônica e precisa reestruturar sua base nacional.

Fim do pacto histórico de garantia de empregos gera confronto

A crise eclodiu com força após a decisão da Volkswagen de rescindir unilateralmente seu pacto histórico de segurança no emprego, em vigor há três décadas, que proibia demissões involuntárias na Alemanha até 2029. A montadora apontou que as vendas no continente europeu estão cerca de dois milhões de unidades abaixo dos patamares pré-pandemia, gerando um déficit de 500 mil carros ao ano para o grupo.

A IG Metall rebateu com a reivindicação de 7% de reajuste salarial por 12 meses para os cerca de 120 mil funcionários amparados pelo acordo coletivo da empresa. O negociador do sindicato, Thorsten Gröger, rechaçou categoricamente qualquer fechamento de planta, advertindo que equívocos estratégicos da direção em software e modelos elétricos não serão compensados à custa dos trabalhadores.

“Em vez de cortar custos às custas dos trabalhadores por meio do fechamento de fábricas, a diretoria da Volkswagen deve apresentar conceitos viáveis de futuro para nossas unidades produtivas.”

Ameaça de greves em todo o país em meio à desaceleração dos elétricos

O impasse tem fortes ramificações políticas para o governo federal do chanceler Olaf Scholz e para o estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto da companhia. O governador estadual Stephan Weil apelou para que as duas partes busquem um meio-termo que preserve o nível de emprego e mantenha a competitividade tecnológica da marca.

A legislação alemã impõe uma obrigação de trégua trabalhista que impede paralisações formais até 30 de novembro. No entanto, os líderes sindicais alertaram que, se a diretoria não recuar da ameaça de fechamento de fábricas nas rodadas de outubro, paralisações massivas atingirão as linhas de montagem a partir de 1º de dezembro.

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