O Banco Nacional da Suíça (BNS) cortou sua taxa básica de juros em 25 pontos-base para 1,00% nesta quinta-feira, efetuando seu terceiro alívio monetário consecutivo em 2024. A decisão trimestral marcou a despedida oficial do presidente do Conselho de Administração, Thomas Jordan, que deixa a liderança da instituição após 12 anos à frente de momentos turbulentos como taxas de juros negativas, intervenções cambiais maciças e o resgate histórico do Credit Suisse.
Em seu comunicado, a autoridade monetária enfatizou que a pressão inflacionária no país diminuiu expressivamente nos últimos meses. O índice de preços ao consumidor avançou apenas 1,1% em agosto em termos anuais, permanecendo confortavelmente dentro da meta de estabilidade de 0% a 2% do BNS. Para 2025, o banco projeta uma inflação média modesta de 0,6%.
Terceiro corte consecutivo de juros combate desinflação e pressão cambial
Um fator crucial por trás do corte de juros foi a valorização constante do franco suíço, que atingiu níveis recordes frente ao euro e ao dólar com a busca por ativos de refúgio. O encarecimento da moeda prejudicou a competitividade de gigantes industriais suíços nos setores de maquinário, relojoaria de luxo e química farmacêutica.
O BNS reiterou que permanece vigilante e disposto a intervir diretamente no mercado de câmbio para conter valorizações excessivas que possam empurrar o país para a deflação. A redução dos juros ajuda a calibrar o diferencial com o Banco Central Europeu e o Federal Reserve.
“A pressão inflacionária na Suíça diminuiu significativamente em comparação com o trimestre anterior. Nosso corte de juros reflete essa moderação e garante condições monetárias apropriadas.”
Legado de Thomas Jordan e transição de comando para Martin Schlegel
A reunião foi marcada por homenagens a Thomas Jordan, que ingressou na diretoria em 2007 e assumiu a presidência em 2012. Jordan liderou o abandono da cotação mínima do euro em 2015, manteve juros negativos por quase oito anos e coordenou a fusão forçada do Credit Suisse com o UBS em março de 2023, preservando a estabilidade bancária global.
O atual vice-presidente Martin Schlegel assumirá a presidência do BNS em 1º de outubro. Analistas de mercado antecipam que a autoridade monetária suíça poderá implementar um novo corte de 25 pontos-base em dezembro, trazendo a taxa básica para 0,75%.




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