O Banco Central do Brasil (BCB) revisou para cima nesta quinta-feira sua projeção para a expansão da economia brasileira, estimando agora um crescimento de 3,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2024. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em Brasília, a autoridade monetária elevou significativamente a estimativa anterior de 2,3%, destacando a resiliência do consumo das famílias, o efeito das transferências de renda governamentais e a solidez do mercado de trabalho.
Em entrevista coletiva concedida pelo presidente do BCB, Roberto Campos Neto, e pelo diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, a diretoria destacou que a atividade econômica tem superado de forma recorrente as expectativas do mercado. No segundo trimestre, o PIB registrou avanço expressivo de 1,4%, impulsionado pelo desempenho fabril e pelo setor de serviços, mesmo diante de condições financeiras restritivas.
Dinamismo econômico: consumo das famílias e mercado de trabalho aceleram atividade
A forte revisão para cima oferece embasamento técnico à decisão recente do Comitê de Política Monetaria (Copom), que elevou a taxa Selic em 25 pontos-base para 10,75% ao ano na semana passada. Com isso, o Brasil se destaca no cenário internacional como uma das raras economias a encarecer o crédito enquanto bancos centrais como o Federal Reserve e o BCE iniciam ciclos de afrouxamento monetário.
O documento enfatizou que o hiato do produto brasileiro entrou em terreno nitidamente positivo, o que significa que a economia está operando acima do seu potencial não inflacionário. A taxa de desocupação recuou para 6,8% em julho — a menor marca para o período em uma década —, sustentando ganhos salariais reais que mantêm a inflação de serviços em patamares elevados.
“A atividade econômica tem demonstrado dinamismo e vigor surpreendentes, levando a uma expressiva revisão para cima em nossas expectativas de PIB e demandando uma postura monetária vigilante.”
Hiato do produto positivo e sinalização firme para o ciclo de alta da Selic
As projeções de inflação do BCB no cenário de referência situam-se em 4,2% para o IPCA de 2024 e em 3,7% para 2025, aproximando-se do teto da meta oficial de 3,0% (com tolerância até 4,5%). A diretoria reiterou que a desancoragem das expectativas inflacionárias e as incertezas em torno da trajetória fiscal do governo permanecem como importantes fatores de risco altista.
Os agentes no mercado financeiro interpretaram o relatório como marcadamente duro (hawkish). Os contratos de juros futuros na B3 em São Paulo passaram a precificar altas adicionais que somam entre 100 e 150 pontos-base nas reuniões de novembro e dezembro, projetando a Selic em torno de 12,00% no início de 2025.




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