A inflação ao consumidor na Espanha desacelerou a um ritmo inesperadamente acentuado em setembro, fixando-se confortavelmente abaixo da meta oficial de 2,0% estipulada pelo Banco Central Europeu (BCE) pela primeira vez em quinze meses. De acordo com a estimativa preliminar divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) avançou apenas 1,7% em termos homólogos, ante 2,4% registrados em agosto.

No índice nacional (IPC), a variação homóloga recuou para 1,5% contra 2,3% no mês anterior, apresentando uma queda mensal de 0,6%. O expressivo recuo foi puxado pela baixa nos preços dos combustíveis para veículos e pelas tarifas de eletricidade no atacado, revertendo a trajetória de alta verificada no mesmo período de 2023.

Desinflação Energética Puxa Índice Geral para Baixo

A inflação subjacente — que exclui produtos energéticos e alimentos não processados por sua volatilidade habitual — também cedeu de 2,7% em agosto para 2,4% em setembro. Essa dinâmica comprova que as pressões sobre custos de serviços, lazer e alimentação fora do lar estão perdendo intensidade após o término do pico da temporada de turismo.

O ministro da Economia, Comércio e Empresas da Espanha, Carlos Cuerpo, comemorou os números, afirmando que a queda dos custos de energia restaura o poder aquisitivo das famílias e fortalece a competitividade dos exportadores do país no mercado comum europeu. A economia espanhola segue combinando rápida desinflação com ritmo de crescimento superior ao dos parceiros da zona do euro.

“A inflação espanhola caiu para baixo de 2%, confirmando o êxito das nossas medidas econômicas e o rápido alívio no poder de compra das famílias.”

Reflexos na Zona do Euro e Pressão por Cortes de Juros

Os dados de Madri têm relevância direta para as vinte economias da zona do euro, funcionando como antecipador das estatísticas agregadas do bloco que serão publicadas na próxima semana. Juntamente com números similares da França, o índice espanhol evidencia que as tensões de preços no sul da Europa estão se dissipando mais rapidamente do que previa o BCE.

Nos mercados financeiros, os operadores elevaram para mais de 80% as apostas de que o Conselho do BCE decidirá por um novo corte de 25 pontos-base na taxa de depósitos em 17 de outubro. Em face da paralisia econômica que afeta a Alemanha, ganham peso os argumentos a favor de um afrouxamento monetário imediato para afastar o espectro de recessão.

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