O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desocupação do país caiu para 6,6% no trimestre móvel encerrado em agosto, atingindo o menor patamar para o período desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012. O índice recuou frente aos 7,1% registrados no trimestre encerrado em maio e aos 7,8% observados no mesmo intervalo de 2023.
De acordo com o levantamento do IBGE, o contingente de desempregados diminuiu em 541 mil pessoas no trimestre, totalizando 7,3 milhões de brasileiros em busca de trabalho — uma queda de 14,9% na comparação anual. Simultaneamente, o total de trabalhadores ocupados avançou 1,2% no trimestre, somando mais 1,2 milhão de pessoas para alcançar a marca inédita de 102,5 milhões de ocupados.
Recorde de empregos com carteira assinada e avanço da massa salarial real
O crescimento da ocupação foi puxado pelas contratações formais no setor privado: o número de empregados com carteira de trabalho assinada atingiu o recorde histórico de 38,6 milhões, alta de 3,9% em doze meses. Indústria de transformação, comércio, transporte e serviços prestados às empresas lideraram a abertura de postos.
O aquecimento do mercado de trabalho também fortaleceu a renda das famílias. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.228 no trimestre de junho a agosto, avanço de 3,8% sobre igual período de 2023. Com isso, a massa de rendimento real atingiu o patamar recorde de R$ 326,1 bilhões, crescimento anual de 7,6%.
“A expansão da ocupação vem sendo impulsionada de forma consistente pelo emprego com carteira assinada, levando tanto a população ocupada quanto a massa salarial real aos maiores níveis da nossa série histórica.”
Impactos para a política monetária do Banco Central e inflação de serviços
Dados divulgados anteriormente pelo Novo CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, já haviam mostrado a abertura líquida de 232.513 vagas formais apenas em agosto, elevando o saldo acumulado nos oito primeiros meses de 2024 para 1,72 milhão de novos empregos com carteira assinada.
Para o Banco Central do Brasil (BCB), contudo, o dinamismo do emprego e dos salários representa um fator de vigilância sobre a inflação de serviços. Após elevar sua projeção de crescimento do PIB de 2024 para 3,2% e iniciar um ciclo de alta da taxa Selic para 10,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou que o hiato do produto positivo exige cautela monetária.




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