A fabricante alemã de carros esportivos de luxo Porsche AG revisou oficialmente suas projeções financeiras para o ano, apontando uma retração severa nas vendas na China continental e uma transição mais lenta do que o esperado para veículos elétricos na Europa. A montadora rebaixou sua margem operacional prevista para entre 14% e 15%.

A receita global do grupo deve ficar entre 39 bilhões e 40 bilhões de euros, impactada pelo fraco desempenho na China, que historicamente representou o mercado individual mais rentável da marca. A crise no setor imobiliário chinês reduziu drasticamente o ímpeto de compra de clientes de altíssima renda.

Desaceleração do consumo de luxo no mercado chinês

O corte nas estimativas coincide com uma ampla renovação de modelos, incluindo a estreia do Macan 100% elétrico e a versão híbrida do clássico 911. Se por um lado a procura pelo 911 híbrido continua aquecida, por outro as entregas globais do sedã esportivo elétrico Taycan despencaram mais de trinta por cento.

Especialistas do mercado automotivo destacam que consumidores europeus estão receosos quanto à compra de veículos puramente elétricos devido à rápida desvalorização no mercado de seminovos e à infraestrutura de recarga pública insuficiente.

“A transição para a mobilidade elétrica está demorando mais do que todo o setor previa. Nossa estratégia dual nos dá flexibilidade produtiva entre combustão, híbridos e elétricos.”

Estratégia híbrida: motores a combustão terão sobrevida ampliada

A meta anterior da Porsche previa que veículos eletrificados correspondessem a mais de 80% das entregas até 2030. No entanto, diante das novas realidades de mercado, a diretoria anunciou que modelos com motor a combustão e híbridos plug-in continuarão em linha por um período consideravelmente maior.

Para compensar a pressão nas margens operacionais, a montadora ampliará seus programas de customização de alta rentabilidade por meio da divisão Porsche Exclusive Manufaktur, reforçando sua solidez financeira.

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