O primeiro-ministro da França, Michel Barnier, finalizou rodadas decisivas de negociação no Hôtel de Matignon, em Paris, na véspera de proferir sua Declaração de Política Geral perante a Assembleia Nacional. À frente de uma coalizão minoritária vulnerável, o veterano político conservador tem a ingrata missão de estancar a sangria fiscal em meio ao parlamento mais dividido da Quinta República.
A faísca do debate político é a rápida deterioração das finanças públicas do país. Dados atualizados do Ministério da Fazenda apontam que o rombo orçamentário fechará o ano de 2024 acima de 6% do produto interno bruto (PIB), superando com folga o limite de 5,1% previsto pelo governo anterior e provocando sanções da União Europeia.
Alerta orçamentário: Déficit público atinge marca crítica de 6%
Para equacionar uma lacuna fiscal que ultrapassa 40 bilhões de euros, Barnier sinalizou que o Orçamento de 2025 aliará fortes restrições aos gastos governamentais com medidas tributárias seletivas. Estão em pauta tributos extraordinários e transitórios sobre os lucros de grandes corporações e contribuições adicionais dos indivíduos de renda mais alta.
A hipótese de aumentar a arrecadação causou estranhamento imediato na bancada governista alinhada ao presidente Emmanuel Macron. Deputados liberais alertam que elevar impostos pode comprometer a competitividade conquistada nos últimos anos, enquanto aliados de centro sustentam que o esforço fiscal é inescapável.
“Facing this unprecedented fiscal reality requires shared effort and national responsibility. We will protect working families while calling upon our most profitable enterprises to contribute to national recovery.” — Michel Barnier, Primeiro-ministro da França
Fratura na Assembleia e o fantasma da moção de desconfiança
Na trincheira oposicionista, o clima é de hostilidade declarada. A federação de esquerda Nova Frente Popular confirmou que protocolará uma moção de desconfiança imediata contra Barnier, acusando-o de impor uma cartilha de austeridade que sacrificará hospitais públicos e a educação.
Por outro lado, o partido Reunião Nacional, de Marine Le Pen e Jordan Bardella, atua como fiel da balança legislativa e já deixou claro que votará pela derrubada do governo caso os ajustes afetem o poder de compra dos trabalhadores. Barnier terá que calibrar cada palavra para assegurar a sobrevivência de seu mandato.
Frequently Asked Questions
Qual a projeção atual do déficit orçamentário da França?
O déficit público francês deve ultrapassar 6% do PIB em 2024, bem acima das metas oficiais estipuladas com a União Europeia.
Quais propostas fiscais Michel Barnier pretende adotar?
O primeiro-ministro defende tributos excepcionais e temporários sobre empresas com lucros expressivos e sobre grandes fortunas.





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