A cúpula governamental da China comprometeu-se nesta quinta-feira a executar um agressivo pacote de estímulos fiscais e a conter o declínio prolongado do setor imobiliário durante uma sessão extraordinária do Politburo do Partido Comunista. Sob o comando do presidente Xi Jinping, o colegiado de 24 membros fez um diagnóstico incomumente direto das pressões desfavoráveis sobre a economia e reiterou a meta de expansão de cerca de 5% no PIB em 2024.
A manifestação do comitê ocorreu logo após as medidas de afrouxamento monetário divulgadas pelo Banco do Povo da China no início da semana, revelando uma atuação articulada entre as frentes monetária e fiscal não vista desde a crise de 2008. As autoridades ressaltaram que os gastos orçamentários necessários serão plenamente assegurados para respaldar o emprego e o consumo.
Cúpula extraordinária em Pequim articula ofensiva fiscal e monetária
Entre as diretrizes de maior impacto está a emissão acelerada de títulos públicos soberanos especiais de longo prazo e bônus de governos locais para subsidiar a troca de maquinários e apoiar o consumo das famílias. O plano inclui transferência de recursos a famílias vulneráveis, recém-formados e trabalhadores migrantes, sinalizando uma guinada relevante rumo ao incentivo à demanda interna.
No mercado imobiliário, que tem sido o principal freio à confiança econômica nos últimos três anos, o Politburo adotou sua postura mais contundente até o momento. Prometeu limitar novos lançamentos comerciais, otimizar estoques existentes e acelerar o desembolso de empréstimos bancários a projetos da 'lista branca' para assegurar a entrega dos empreendimentos.
“Devemos encarar a situação econômica atual com amplitude e serenidade, enfrentar as dificuldades de frente e realizar os gastos fiscais necessários para garantir o cumprimento de nossas metas anuais.”
Estabilização do setor de imóveis e estímulo direto à renda das famílias
A reação dos mercados financeiros foi imediata. As bolsas de Xangai, Shenzhen e Hong Kong registraram seus ganhos semanais mais expressivos em duas décadas, enquanto commodities sensíveis à demanda fabril chinesa, como o minério de ferro e o cobre, dispararam no mercado internacional.
Economistas internacionais ressaltam que a mudança na postura política é histórica, embora sua efetividade dependa dos detalhes fiscais que o Ministério das Finanças formalizará nas próximas semanas. Espera-se que o Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional aprove cotas trilionárias de endividamento extraordinário.




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