O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu nesta terça-feira, de forma unânime, elevar a taxa básica de juros (Selic) em 25 pontos-base, fixando-a em 10,75% ao ano. A decisão marca uma inflexão contracionista que descola a maior economia da América Latina do movimento internacional de relaxamento monetário liderado pelo Federal Reserve norte-americano.

No comunicado oficial divulgado após o encontro, o colegiado ressaltou que a resiliência da atividade econômica, o aperto no mercado de trabalho e a desancoragem das expectativas inflacionárias acima da meta contínua de 3% tornaram indispensável uma postura monetária mais severa. A concordância dos nove diretores afastou ruídos políticos.

Descolamento do Cenário Internacional para Conter a Inflação

O ritmo da economia brasileira tem superado sistematicamente as projeções do mercado ao longo de 2024. Impulsionada pelo aumento das transferências de renda governamentais e pela expansão do crédito às famílias, a taxa de desocupação recuou para 6,8%, alcançando os menores patamares em quase uma década e alimentando a inflação de serviços.

O comportamento do câmbio também foi determinante no julgamento do Copom. O real acumulou desvalorização superior a 10% frente à moeda americana em 2024, pressionado pelas dúvidas em torno do cumprimento do arcabouço fiscal em Brasília e pelo cenário geopolítico, encarecendo insumos industriais importados.

“O comitê avaliou unanimemente que o cenário atual, marcado por dinamismo da atividade e pressões no mercado de trabalho, exige uma política monetária mais contracionista.”

Pressão Salarial, Câmbio Depreciado e Incertezas Fiscais

Analistas do mercado financeiro receberam a decisão como uma demonstração categórica da autonomia técnica do Banco Central para garantir a convergência da inflação no horizonte relevante de 2025 e 2026.

Os agentes econômicos agora projetam novas altas graduais na Selic nas reuniões que restam no calendário de 2024, caso o governo federal não apresente medidas convincentes de contenção de despesas públicas obrigatórias.

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