O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, interveio publicamente nesta sexta-feira para solicitar à Comissão Europeia o adiamento temporário da aplicação do Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento da União Europeia (EUDR). Durante evento em Berlim, Scholz revelou ter feito o pedido pessoalmente à presidente Ursula von der Leyen.

A diretiva ecológica, sancionada em 2023 com previsão de vigência a partir de 30 de dezembro deste ano, proíbe o ingresso e venda no mercado europeu de madeira, gado, cacau, café, soja, borracha e óleo de palma sem certificação satelital comprovando que não se originam de terras desmatadas após 2020.

Apreensão empresarial diante do gargalo regulatório

Embora ambientalistas defendam a regulação para salvaguardar biomas tropicais, associações industriais alemãs dos setores de celulose, livrarias e agronegócio afirmam que os portais digitais da Comissão Europeia apresentam falhas e não estão prontos.

Scholz ressaltou que a Alemanha defende a preservação ecológica, mas não pode admitir burocracias desmedidas que ameacem o abastecimento regular de papel de impressão e onerem produtores florestais locais.

“A lei antidesmatamento precisa ser exequível. Transmiti a Ursula von der Leyen que a norma deve ser suspensa até sanar as dúvidas das empresas.”

Reação dos parceiros agrícolas globais e impasse em Bruxelas

O pronunciamento do chanceler alinha a Alemanha a grandes exportadores agropecuários, como Brasil, Estados Unidos, Indonésia e Malásia, que já haviam enviado notificações diplomáticas classificando a norma como barreira comercial desproporcional.

Autoridades em Bruxelas informaram que avaliam os pedidos e consideram mecanismos de transição escalonada para evitar impactos operacionais descontrolados nas cadeias globais de suprimentos.

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